Snow Patrol Brasil » [Resenha] Arroz com feijão
out,
13
2012
[Resenha] Arroz com feijão

Em sua primeira apresentação em solo brasileiro fora de festivais, o Snow Patrol fez tudo certo, mas encontrou tanto fãs ansiosos por eles quanto um público sedento apenas pelos hits
Teve balão colorido? Teve sim. Teve hit? Teve sim, senhor. Teve fã pedindo o vocalista em casamento? Não só uma, como duas. E bandeira do Brasil? Essa não poderia faltar, apareceu logo no começo. Aliás, não faltou nada do que não poderia faltar em um show de banda internacional de rock pop/indie. No entanto, por alguma razão, talvez o fato do Credicard Hall estar longe de lotado, a apresentação do Snow Patrol em São Paulo, nesta quarta, 10, deixou a sensação de algo morno, especialmente na primeira metade. Em outras palavras, mesmo que tenha sido correto, honesto e limpinho, deixou uma impressão de arroz com feijão, que é bem gostoso, mas nada demais.
A banda retornou ao país para fazer sua primeira turnê solo, depois de ter subido ao palco do Natura Nós (2010) e do Rock in Rio (2011). Foi recebido por fãs fervorosos, que conheciam bem a discografia do grupo, mas também pelo frequentador de show que mais passeia e bate papo do que presta atenção, já que está ali aguardando aqueles dois ou três hits. Ainda assim, o líder Gary Lightbody e seus companheiros não desempolgaram um minuto sequer, presenteando o público paulistano com uma música nunca tocada na América Latina, inclusive.
A performance começou às 21h45, 15 minutos atrasada, favorecendo quem ainda estava no trânsito tentando chegar à afastada casa de shows. Após um vídeo que abre a turnê Fallen Empires, o Snow Patrol começou com “Hands Open”, “Take Back The City” e “Crack The Shutters”. Gary misturou as faixas, no início do show, à conversa com a plateia. Entre outras coisas, brincou com um rapaz da primeira fila que, pelas respostas do vocalista, ficou extremamente constrangido. Sendo assim, ele ganhou uma dedicatória na execução de “This Isn’t Everything You Are”, que veio em seguida. Gary ainda contou ao público a história de como um grupo de fãs leu seu tuíte sobre precisar de sapatos novos e comprou para ele um par de calçados. Encontrou as meninas na plateia e agradeceu muito, dedicando uma canção a elas também. “Eles são cool demais para mim”, disse sobre o presente. “Meus pés agradecem. Se eles pudessem falar, estariam mandando beijos para vocês agora.” Quem também ganhou uma menção foram as já citadas fãs que pediram Gary em casamento, com quem ele foi pura simpatia. Aliás, vale mencionar que essa afinidade que o frontman mostrou constantemente soou sempre espontânea – e ao contrário dos itens listados no início, isso não necessariamente é uma constante em shows de atrações internacionais.
Se seguiram “Run”, “In The End” e a inédita por aqui “The Garden Rules” que foi citada acima. Neste momento, ficou claro quem era fã dos discos completos e quem tinha os singles em uma mixtape no carro. Enquanto algumas pessoas choravam e se esgoelavam, a circulação perto da porta aumentou, já que uma multidão foi buscar uma bebida nesse momento e depois voltou correndo para não perder a faixa seguinte, o belo single “Set The Fire To The Third Bar”.
A hora e meia de performance ainda contou com “You Could Be Happy” (que eles deixaram a plateia escolher, preterindo a faixa “New York“, que costuma estar no setlist), “Make This Go On Forever”, a celebrada “Shut Your Eyes” e uma das canções principais da noite, “Chasing Cars”, um dos maiores sucessos do grupo. Gary cantou apenas o primeiro verso e deixou as vozes do coro tomar conta. Retomou sua tarefa de cantor apenas no refrão. “Chocolate”, “Called Out In The Dark” e a mais experimental (dentro da discografia deles) “Fallen Empires” ainda antecederam “Open Your Eyes” – a canção ajudou a divulgar o Snow Patrol para o grande público, já que foi trilha sonora de diversas cenas tristes em séries de TV e comerciais. O show se encerrou com “You’re All I Have”, mas o grupo ainda voltou para mais uma no bis, “Just Say Yes”.
O Snow Patrol já tinha se apresentado no Rio de Janeiro, antes de desembarcar na capital paulista, e segue agora para Belo Horizonte, onde sobe ao palco do Chevrolet Hall nesta quinta, 11.

Rolling Stone


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