Snow Patrol Brasil » Heróis indies ou vendidos do mainstream?
out,
25
2010
Heróis indies ou vendidos do mainstream?

Traduzido por Poliana Alves.

Morrissey uma vez cantou: “Nós odiamos quando nossos amigos se tornam bem sucedidos,” e pode-se dizer que há uma verdade nisso. Enquanto o Snow Patrol esteve perante aproximadamente 45.000 pessoas em Ward Park, Bangor, certamente deve ter provado ser o retorno triunfante que todos eles, com certeza, sentem que merecem.
Mas tem sido uma dura caminhada para a banda de indie-rock por Bangor – via Dundee -, tendo que suportar uma enorme quantidade de farpas na última metade desta década, um período de tempo no qual foram vistos vendendo mais de dez milhões de álbuns em todo o mundo. Como sua posição comercial ascendeu rapidamente, os críticos se voltaram para a banda lançando acusações curtas e grossas de irrelevância em sua direção.
E de um certo modo, é muito fácil ver porque isto tem sido o caso. O Snow Patrol, que inicialmente impressionou formadores de opinião indies no final dos anos 90 com músicas enérgicas como “Starfighter Pilot” e “Velocity Girl” não mais existe. Foram-se os dias onde a produção de baixa qualidade e os ganchos do indie rock eram a ordem do dia, e os reservados garotos e garotas indies poderiam ficar nas sombras nos fundos de um show mal atendido, escutando as letras que ligariam os pontos em suas próprias vidas de amor não correspondido.
Em 2003, a banda lançou Final Straw, o disco que os tiraria da periferia da imprensa musical em colunas “Por onde andam?”, e os impulsionaria ao sucesso mainstream.
Não mais exclusiva propriedade dos poucos protetores, a banda foi entregue de bandeja para a audiência global, esfomeados por refrões antológicos e picos emocionais. Isqueiros poderiam ser acenados no ar, balcões poderiam cantar os refrões, e – mais importante- um grande número de pessoas poderiam ver-se refletidos nas palavras de Gary Lightbody.
Considerando que, antes, especifidades enigmáticas foram a moeda que a banda negociou, as músicas agora começaram a falar vinhetas sutilmente observadas, que ofereciam pouco para a análise crítica, mas poderia ter empatia com milhões. Não pela primeira vez, um compositor conectou profundamente em um nível pessoal com a sua audiência, indiscutivelmente despindo o conteúdo pessoal de sua composição. De agora em diante, os fãs começaram a aparecer, e as facas dos críticos foram sacadas.
Tudo isso faz a apresentação da banda em Ward Park um real caso “Nós contra Eles”. As pessoas que estavam lá no início vão torcer seus narizes em desdém considerativamente para os fãs que surgiram da noite pro dia e que subiram no bonde com Final Straw (e que estavam nesse bonde há pelo menos sete anos, não esqueçamos).
Por outro lado, a audiência em massa que agora “tem” a banda mal pode esperar pelos momentos para cantar junto, e sem dúvida, serem incomodados pelas inclusões dos materiais mais recentes.
No final das contas, o Snow Patrol não pode ganhar. O garoto indie no coração de Gary Lightbody foi, sem dúvida, picado pela avaliação crítica de sua banda e o abandono dos formadores de opinião indie que um dia o celebraram. Afinal de contas, ele inicialmente começou a banda porque era um fã da música, e agora está tendo que afastar as acusações que ele provavelmente não está mais em sua música.
Por outro lado, ele tem escrito músicas que, literalmente, tocaram os corações de milhões de pessoas, profundamente as comoveu e se tornou uma importante parte do tecido de suas vidas. Quantas pessoas choraram com a insuportável dor de um coração partido, enquanto “Run” tocava ao fundo? Quantas pessoas falaram para alguém “You’re All I Have” (“Você é tudo o que eu tenho”), e sentiram seu peito inchar com amor?
As coisas mudam. Dylan se tornou elétrico. Os Beatles se tornaram uma banda de estúdio. The Clash disse “Cut the Crap!” (“Deixa de merda!”), mas não o fez. Ward Park foi um momento especial na história de uma banda situada em uma difícil posição.
Se eles podem passar por cima, ou se as acusações de declínio têm crédito, é irrelevante. Foi o triunfo de um ato bem planejado, profissional, de classe mundial de turnê, que conseguiu fazer o maior show que a Irlanda do Norte já viu, sem nenhum quantidade pequena de graça e charme humildes.
Quando o capítulo final da história do Snow Patrol for escrito, Ward Park será visto como uma elevação, ao invés de uma baixa. Qualquer coisa menos será um assassinato de caráter da mais alta ordem.

Culture Northern Ireland


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