Snow Patrol Brasil » Gary para a “Q the Music” – semana 21
dez,
22
2009
Gary para a “Q the Music” – semana 21

Bem, chegou o momento de falar das coisas que fizeram o ano especial e apesar de eu não apelar para uma lista, passarei as próximas semanas aqui me concentrando num álbum do ano, a cada semana.
O primeiro é um álbum tão misterioso, pecadoramente bonito e simplesmente pecador, que parece que é de uma outro período. Não antigo, mas paralelo. De uma outra época paralela à nossa. A safada obra prima Two Dancers do Wild Beasts é de uma beleza indiscutível, senão imoral, e de um charme que eu não deixaria minha irmã ou uma prima se aproximar a menos de um quilômetro dele, caso ele resolvesse cortejá-la.
Mas deixando de lado antigas metáforas de casamento arranjado, ele realmente é muito especial. Desafiadoramente estranho, mas mesmo tempo ele não perde seu pop sedoso contagiante ao longo das músicas. É um álbum divertido, esperto, safado e bricalhão, e não consigo, nem quero, me soltar do seu encantamento.
O falseto de Hayden Thorpe pode dividir opiniões e, para ser sincero, precisei ouvir algumas vezes para me acostumar, mas agora sou apaixonado por ele. As viradas em suas frases são tão estranhas quanto sua voz: “What’s so wrong with just a little fun? / We still got the taste dancing on our tongues / When we pucker up our lips are bee stung / We still got the taste dancing on our tongues” (“O que tem de errado em alguma diversão? / Ainda sentimos o gosto em nossas línguas / Quando juntamos nossos lábios são como picada de abelha / Ainda sentimos o gosto em nossas línguas” – “We Still Got the Taste…”), que termina na ousada e brilhante frase “Why should we feel bad for what we have done?” (“Por que devemos nos sentir mal pelo que fizemos?”). Um música repleta de majestade corrompida e da tentativa de evitar a humilhação da manhã seguinte a uma bebedeira.
Enfim, o falseto de Thorpe é balanceado pelo grave barítono de Tom Fleming, usado na primeira parte da faixa dupla devastadora: “Do you want my bones between your teeth? / They pull me half alive out of the sea… I feel as if I’ve been where you have been” (“Você quer meus ossos entre seus dentes? / Eles me puxam semi-vivo do mar… Sinto como se tivesse estado onde você esteve”), ele esbraveja, e você acredita nele. Eles dois estilos vocais muito diferentes são sintomáticos dos temas recorrentes e da atitude geral do álbum: coisas que geralmente são opostas, na verdade são compatíveis.
Talvez o paradoxo mais incomum desse álbum de interminável aventura sexual e libertinagem é que ele vem da mente de 4 caras do Lake District (área no noroeste da Inglaterra), e não LA, Nova Orleans ou do Espaço Sideral. O fato de ele não soar como nada do Reino Unido no momento é uma dádiva, apesar de não soar como de lugar nenhum, na verdade. Mas é engraçado pensar que a terra do Wordsworth também é a terra do Wild Beasts. Um tipo de nova poesia Romântica. Bem, talvez sem o romance. Entretanto, isso é natural e injusto, já que a música em si geralmente é tão romântica que parte corações. Mas às vezes as palavras (“This is a booty call / My boot, your arsehole” – “Isso é uma chamada para uma rapidinha / Minha diversão, seu cu”) são bemm diretas, para dizer o mínimo.
Ainda estou perdido nesse álbum e todo dia ele me choca, seja com seu esplendor ou quando uma nova frase que eu ainda não havia percebido me acerta como um chicote. Com certeza entrará em várias listas de final de ano. Está no topo da minha.
Amor nos temos de gripe suína,
g.x

  • 23.12.2009 às 09:21 | Diana:

    imagina se o Gary ouvir os funk do Brasil q a maioria só fala coisas desse tipo hahaha


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