Snow Patrol Brasil » Gary para a “Q the Music” – semana 19
nov,
7
2009
Gary para a “Q the Music” – semana 19

Uma das principais razões de eu odiar o Twitter é que o limite de caracteres degenera a linguagem e essas abreviações acham um caminho para conversas na vida real. Alguém, que permanecerá sem identificação, realmente disse LOL [NT: abreviação para “laugh out loud”, o nosso “rialto”, hahahaha] para mim outro dia, ao invés de se render à risada que, depois do choro, é a compulsão humana mais natural.
Talvez essa seja uma batalha perdida, pois já foi longe demais, e talvez eu apenas esteja sendo um velho. Além do que, o Stephen Fry twitta e ele é Deus perante meus olhos, mas não consigo me render a isso.
Uma abreviação da qual eu gosto é WTF [NT: “what the fuck”, algo do tipo “mas que diabos”], e pra ser sincero, ela é perfeita para descrever o meu álbum da semana: “Alopecia”, do Why?.
Tenho esse álbum há alguns meses e não sei bem o que pensar dele. Musicalmente, é inquestionavelmente magnífico e indie, hip hop, jazz e experimentação ao vivo, mais harmônica aqui do que em qualquer outro lugar que eu possa pensar que não seja no TV On The Radio. Mas é pela letra que eu fiquei pasmo. Não ouvi ninguém dizer frases como o cantor Yoni Wolf na recente história da música.
Ele é mais como a nova leva de solitários romancistas americanos: Chuck Palahniuk, Donald Ray Pollock, Wells Tower ou Bryan Charles, semelhantes a eles são seus contos de lugares obscuros da vida americana, salpicados com perigo, sexo, suor e lágrimas. Às vezes, também são aconchegantes e divertidos. Apesar de esses dois últimos termos serem mais raros e espaçados e às vezes parecem ser usados apenas para contrastar e fazer o choque com o resto parecer mais pesado.
Em “Good Friday” Wolf canta: “Chupando um pau em troca de tíquetes de bebida no open bar do Bar Mitzvah do meu primo… enviando SMSs sensuais para o novo homem da minha ex só porque eu posso”. É cru, sujo e um pouco revoltante, mas você tem que admitir que é engraçado, e quando foi a última vez que você ouviu algo assim? O mesmo homem canta isso, de “Fatalist Palmistry”: “E quando dizemos seu nome, nossas línguas pegam fogo”. E também minha frase preferida de todo o álbum: “E apesar de não te ver há anos, eu pegaria um avião para ir ao seu funeral de onde quer que estivesse”. Para ser honesto, há tantas frases boas que cada vez que escuto me apaixono por outra coisa. Porém, cada vez que ouço, algo novo revira meu coração ou meu estômago de outro modo.
E é por causa dessa nauseante jornada à qual o Why? te manda que eu acho esse álbum atraente. Ele sempre me surpreende e isso é algo raro, de fato. O primeiro verso de “Song of the Sad Assassin” é algo de uma beleza sombria, assustadora, desajeitada:
“Elevamos o corpo da água como um vestido
Você tirou seu sutiã para cobrir o ferimento
Apesar de o homem estar morto e não haver necessidade
Então seu rosto ficou vermelho quando você me disse
Vou sugar a medula…”
Vou deixar que vocês descubram por conta própria qual é a próxima frase.
Isso não é bem uma crítica, é mais eu ficando animado com palavras, mas como um disse no começo, estamos tendendo a não usá-las, então é bom achar um álbum que ama tanto a linguagem, se não exatamente a vida. Mas você não pode ter tudo. Um álbum brutal e magistral que viverá com você por uma era. WTF!

Why? on myspace.

Why? – “Good Friday”

Why? – “Fatalist Palmistry”

Why? – “Song of a Sad Assassin”

Q the Music


Comente:



Nosso Twitter
Nosso Facebook
Tuites da banda